Por que a cultura (organizacional) é tão importante?
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Por que a cultura (organizacional) é tão importante?

Quando você vai viajar para um lugar muito diferente, uma das primeiras preocupações é entender a cultura desse destino. Afinal, você não quer chegar lá e falar um absurdo, ter uma atitude ofensiva, desrespeitar a crença de um povo. E esse entendimento não serve para julgar o que está certo ou errado. É um aprofundamento. É entender como as pessoas pensam, o porquê e com quais motivações. Vou exemplificar: se você vai para a Argentina e não quer confusão, é bom saber que futebol não é um assunto muito agradável entre brasileiros e argentinos. Não importa qual é a melhor seleção. Se você está lá e não quer ser indelicado, é preciso respeitar a visão e a cultura local. (Esse exemplo não causaria tantos problemas, ok. Mas ajuda a explicar o que é entender uma cultura sem julgá-la).

Assim como nós temos uma bagagem cultural, as empresas também têm. Portanto, quando vamos traçar um plano de comunicação, estabelecer canais de comunicação interna, propor ações, desenhar mensagens-chave, definir brand persona, etc. é fundamental conhecer a cultura dessa empresa. Isso é fácil? Não! Compreender uma cultura requer um processo de imersão cuidadoso. Pense no Brasil. Tente definir a cultura brasileira. É muito plural! Na empresa acontece a mesmíssima coisa: são inúmeros públicos, em locais bem distintos, com atividades bem particulares. É quase impossível identificar uma única cultura. Por isso, o processo de imersão precisa de tanto cuidado. É necessário considerar que a cultura de uma empresa também estará fragmentada conforme as características de seus públicos e atividades.

Para refletir: como fazer uma comunicação interna que seja coerente com toda essa fragmentação e ainda sim tenha o discurso da empresa, reforçando sua cultura?

Quando a gente percebe toda a complexidade envolvida na comunicação interna de uma empresa, fica claro que é impossível “sair fazendo” sem antes conhecer os detalhes.

No meu ponto de vista, este é um dos fatores que desvalorizam a comunicação interna: os comunicadores fazem muito, mas conhecem pouco. Antes de dar qualquer passo, é preciso ter certeza de que existe um chão ali. E é preciso saber se é um chão de asfalto, de areia, de lama para, então, você saber qual sapato deve usar.

Em resumo: antes de qualquer decisão, conheça muito bem a cultura que a comunicação precisa respeitar e reforçar. Pesquise, faça imersões, visite as diferentes operações. Sem isso, sua comunicação interna corre o risco de ser só mais um cartazinho bonitinho, mas que não colabora para os objetivos da empresa.

 

Vitor Morais é publicitário e Diretor de Criação e Conteúdo na Supera Comunicação

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