Por que comunicadores internos deveriam falar menos de comunicação interna?
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Por que comunicadores internos deveriam falar menos de comunicação interna?

Vamos falar aqui sobre algumas de nossas miopias de trabalho. Se essa é a proposta, sejamos francos desde o primeiro parágrafo: o que nós fazemos em comunicação interna não é valorizado por muitos de nossos colegas corporativos. Nem desperta a atenção devida de alguns presidentes e CEOs.

Nós, comunicadores internos, temos o mau hábito de falar compulsivamente sobre comunicação interna em nossas rotinas. Mesmo nas interações com outras áreas, tentamos trazer a discussão para o nosso campo de conforto. 

Insistimos em canais, campanhas, mais canais, datas temáticas, novos canais, aplicativos. Tudo isso ainda no topo das nossas atribuições. Mas elas são como grades que nos imobilizam numa tendência fácil de nos manter num ciclo operacional que nos impede de fazer a parte mais nobre da nossa profissão: orientar para o diálogo corporativo e promover um melhor ambiente de trabalho com ganhos reais para a empresa.

Proponho um teste prático. Procure agendar uma reunião com o seu presidente para discutir novos caminhos para o jornal corporativo. Ou para definir qual será a ação e o brinde para a próxima data temática. Vamos mais longe? Uma nova grade editorial para os atuais canais (Coragem!). Já dizia a minha avó: quem não arrisca não petisca.

Tendo dado esse passo, analise o retorno que você terá, se é que você terá um retorno. Em especial, fique atento à prioridade que o grande chefe dará para tratar do assunto proposto.

Algum tempo depois faça uma nova tentativa. Ofereça uma reunião com o mesmo presidente para apoiá-lo com comunicação no manejo da cultura organizacional em tempos de tantas mudanças – algumas poucas programadas, outras até imprevistas. Ou ainda ofereça um processo de comunicação para promover um alinhamento ao negócio. Sim, essa é uma realidade absoluta na maioria das organizações. Num país continental, em que a distribuição das unidades operacionais é cada vez mais comum, parte considerável dos empregados das pontas não sabe o que se entrega de valor ao final da cadeia produtiva. 

Há inúmeras pesquisas e estudos à sua disposição, com dados para argumentar e fazer seu presidente começar a olhar o seu trabalho com outros olhos. 

Venda temas nobres e ganhe conversas desafiadoras. 

Nós, comunicadores internos, precisamos parar de falar da nossa rotina para tratar cada vez mais de assuntos realmente relevantes. 

Alguns outros para a sua pauta: aumento do engajamento e seus muitos benefícios comprováveis, desenvolvimento de líderes comunicadores, promoção do diálogo entre as áreas, compartilhamento da estratégia a curto, médio e longo prazos, gestão da reputação a partir dos empregados, economia e novos negócios, inovação, comunicação para atração de talentos, entre outras possibilidades.

A virada não é fácil. Mas, afinal, o que é fácil nessa vida que nos dê satisfação?

Sucesso pra gente!

 

José Luís Ovando é publicitário e Sócio-diretor de Estratégia e Cultura na Supera Comunicação.